quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Costureirinha e sua Infância

Um dia estava em casa sem desenhos para fazer ou assistir na Tv. Tinha acabado de chegar da escola, num sol infernal. Assim que cheguei tirei minha blusa, meus sapatos e joguei minha mochila no sofá, então, sentei nele, macio, quente, parecia que fazia parte da minha pele. E sim, por um instante, ele se fez. O Braço dele me acolheu, sentia o suor escorrer pelas minhas costas que aliviava um pouco do calor que sentia, só um pouco.

Entre as pernas tinha uma curva feito um “S”, que também suava, suava muito. O calor surgiu como uma necessidade do corpo de expressar uma vontade, surgiu como um suspiro, um espirro, um soluço… Surgiu, e demorou para voltar a seu local de origem. A curva do “S” estava sobre o braço dele, as pernas se impulsionavam como numa montada à cavalo. Nessa hora eu parecia uma cachoeira em ressaca e sentia um prazer indiscritível. De repente, ouço a porta abrindo, era minha mãe, e eu estava lá no braço do sofá, bem molhada e despida de qualquer pudor. Corri direto para o banheiro. Ela gritava o meu nome como sempre, eu não podia responder queria novamente sentir os braços, queria deitar sobre ele e nunca mais sair. Viver só de prazer e suor.

2 comentários:

  1. O primeiro conto é, na verdade, um belo ensaio de crônica. Já este segundo, da costureirinha, está sim, mais para o conto. E tem uma sensibilidade mulherzinha de que só mesmo as mulheres (e o Chico Buarque) são capazes. Ambos são excelentes primeiros passos no universo da prosa.

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