Um dia estava em casa sem desenhos para fazer ou assistir na Tv. Tinha acabado de chegar da escola, num sol infernal. Assim que cheguei tirei minha blusa, meus sapatos e joguei minha mochila no sofá, então, sentei nele, macio, quente, parecia que fazia parte da minha pele. E sim, por um instante, ele se fez. O Braço dele me acolheu, sentia o suor escorrer pelas minhas costas que aliviava um pouco do calor que sentia, só um pouco.
Entre as pernas tinha uma curva feito um “S”, que também suava, suava muito. O calor surgiu como uma necessidade do corpo de expressar uma vontade, surgiu como um suspiro, um espirro, um soluço… Surgiu, e demorou para voltar a seu local de origem. A curva do “S” estava sobre o braço dele, as pernas se impulsionavam como numa montada à cavalo. Nessa hora eu parecia uma cachoeira em ressaca e sentia um prazer indiscritível. De repente, ouço a porta abrindo, era minha mãe, e eu estava lá no braço do sofá, bem molhada e despida de qualquer pudor. Corri direto para o banheiro. Ela gritava o meu nome como sempre, eu não podia responder queria novamente sentir os braços, queria deitar sobre ele e nunca mais sair. Viver só de prazer e suor.
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O primeiro conto é, na verdade, um belo ensaio de crônica. Já este segundo, da costureirinha, está sim, mais para o conto. E tem uma sensibilidade mulherzinha de que só mesmo as mulheres (e o Chico Buarque) são capazes. Ambos são excelentes primeiros passos no universo da prosa.
ResponderExcluirMangueira 10!
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